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FOCO, COM ANÍBAL VIEGAS

Há alguns anos, venho trabalhando em um projeto de desenvolvimento das competências criatividade e inovação, em duas grandes empresas na região sudeste. Durante 1 ano, este projeto estava bastante intenso, o que tornava necessário viajar para essa região todas as semanas.

Uma “corrida” de táxi da minha casa até o aeroporto custa em torno de R$ 75,00. Durante um bom tempo, nesse período, eu usava o serviço de um taxista (vamos chama-lo de “Seu Manolo”). Com minhas constantes viagens, Seu Manolo faturava, em média, R$ 600 por mês. O seu táxi era um carro novo, espaçoso, com ar-condicionado que simulava as temperaturas glacias. Tudo que eu gosto em um táxi. Mas Seu Manolo tinha um problema: volta e meia, ele atrasava. Tanto para me levar ao aeroporto quanto no meu retorno de viagem – muitas vezes, exausto; louco para chegar em casa.

Depois de questionar o motivo dos atrasos recorrentes, ele falou que sempre que estava indo me buscar, aparecia uma oportunidade de “corrida” e, como um prestador de serviço, não podia negar.
Resumindo, os atrasos, algumas vezes, eram causados por alguém que aparecia no caminho. Segundo ele, calculava o tempo, e via que “era possível”. No entanto, isso passou a causar uma ansiedade (desnecessária) em mim. Resultado: deixei de usar os serviços de Seu Manolo. Ele perdeu um faturamento regular de R$ 600.

Seu Manolo não fazia isso por maldade. Não fazia isso porque queria perder o negócio. Ele fazia isso porque, assim como tantos outros prestadores de serviço, ele está vulnerável a qualquer “oportunidade”. Quem nunca foi abandonado pelo pedreiro, pintor ou marceneiro?

Seu Manolo e outros profissionais sofrem de falta de foco. Eles acham que tudo é oportunidade, e acabam perdendo outros pontos mais importantes: credibilidade, confiança, clientes, renda etc.

O pior é que existem vários “Manolos” por aí. Em todas as áreas. Eles agem como “birutas” e mudam de direção o tempo todo. Acham que cada venda é uma oportunidade de mudar de direção. Essas pessoas perdem o foco com a maior facilidade; fazem de tudo, mas acabam não tendo os resultados que poderiam ter.

A semana passada falei sobre Começar. No entanto, não adianta começar se você não mantiver o FOCO. Esta semana o meu foco será “foco”. De acordo com alguns estudiosos, este é um dos grandes problemas do século 21.

Atualmente, atuando como coach, trabalhar a falta de foco dos meus clientes tem sido uma das maiores demandas. Há muitas pessoas perdendo tempo, dinheiro e coisas importantes na vida pela falta de foco.

Eu mesmo já perdi muitas oportunidades interessantes por não saber manter o foco no que realmente é importante. Nos últimos anos, tenho investido muito para manter o foco. Tenho aprendido que o que parecer ser uma “oportunidade”, na realidade, pode ser uma grande distração. E essas distrações são os maiores inimigos do foco.

Você acha que falta de foco é um problema? Que muitas pessoas estão desfocadas? O que faz você acreditar nisso?

Tempos atrás, quando eu era criança, escutei uma história de uma mãe que pede à criança para levar o almoço para o pai, que estava trabalhando em lugar um pouco distante. Ao sair para levar o almoço quentinho, a criança viu uma borboleta linda, bastante colorida, que rodopiava no ar. Encantada com aquilo, ela seguiu a borboleta e esqueceu-se de levar o almoço do pai, o qual, por sua vez, ficou com fome e a mãe ficou sem saber de nada.

Já falei das pessoas que perdem foco com facilidade. Deixando o que é importante de lado. Perdendo grandes oportunidades. Não concluindo seus projetos, não avançando na vida.

Há 7 anos, aprendi com um dos meus mentores, Marcos Wunderlich, do instituto Holos, que as pessoas podem ter um comportamento focado ou desfocado. O focado assume responsabilidade, sabe o que quer, coopera, tem clareza na comunicação. Enquanto o desfocado justifica, põe a culpa nos outros, compete de maneira desleal, alimenta fofocas, não mantém uma comunicação clara.

A pessoa desfocada segue todas as borboletas que aparecem. Perde-se no caminho; alimenta comportamentos destrutivos; tem ações dispersas. No final de cada dia, apesar de ter feito muitas coisas, tem a sensação de que não fez nada. O pior é: realmente não fez… e tenta encontrar uma desculpa ou um culpado para justificar.

Então você pode dizer: Ok, Aníbal e o que eu faço para me tornar uma pessoa mais focada? Bom, primeiramente, é preciso ter consciência de quais são as borboletas que podem surgir no seu dia a dia. Atualmente, temos várias borboletas comuns a muitas pessoas: celular, aplicativos de comunicação, rede social, internet, notícias sensacionalistas da mídia, fofocas, dentre outras.

Entender o que nos faz perder o foco é o começo desta jornada. Saber quais são as nossas “borboletas” que desviam a nossa atenção é o primeiro passo para saber como não se deixar ser seduzido por elas. Além disso, há outras situações que também podem ajudar a perder o foco. No entanto, deixarei isso para a próxima conversa, pois não quero que nenhuma “borboleta” desvie sua atenção agora, já que o texto está ficando longo.

Alguma borboleta já está batendo as asas perto de você neste momento?

Preste atenção no que você presta atenção.

Em 2005, eu comprei um Citroën C3. Na época, um carro difícil de se ver nas ruas… Até o dia que eu comprei. Depois que passei a dirigir o carro que havia acabado de comprar, parece que todo mundo tinha tomado a mesma decisão. O carro estava em todos os lugares, inclusive no meu próprio prédio: descobri que dois vizinhos já tinham o carro há algum tempo.

Em 2010, outra coisa interessante me chamou a atenção. Minha esposa estava grávida e, quanto mais sua barriga crescia, mas grávidas começaram a aparecer na rua. Parecia que todas as mulheres resolveram engravidar naquele ano.

Essas duas histórias mostram que determinadas situações passam a existir com mais frequência na nossa vida quando passamos a prestar a atenção, a focar naquele determinado assunto ou aspecto de vida. A realidade está aí. Milhões de realidades estão acontecendo neste momento. Nossa vida vai ser direcionada por aquilo que prestamos atenção.

“Preste atenção naquilo que você presta atenção” é uma frase que cunhei há alguns anos e que normalmente uso nas minhas palestras e treinamentos. Gosto de enfatizar isso, porque a nossa realidade vai ser guiada por aquilo que colocamos atenção.

Colocar a atenção sobre qualquer coisa faz com que ela cresça, apareça mais, passa fazer parte da nossa realidade. Prestar atenção naquilo que prestamos atenção é uma forma de descobrir como estamos focando a nossa vida. Estamos prestando mais atenção em coisas positivas ou negativas? Aos nossos pontos fortes ou nossas fraquezas? Estamos valorizando o que já temos ou aquilo que ainda não temos? Estamos dando atenção às pessoas boas ou gastando energia com aquelas que são tóxicas?

Muitas vezes, a nossa atenção está sendo ancorada em um fato, uma situação. Nas duas histórias que contei, o carro novo e a gravidez estavam ancorando a minha atenção, o meu foco, e fazendo prestar atenção em um determinado aspecto da vida que até então era invisível. Descobrir o que está ancorando nossa atenção vai permitir que você escolha o que pode prestar atenção.

Já ouvi falar que nós somos aquilo que comemos. Vou arriscar aqui e dizer: nós somos aquilo que colocamos nossa atenção. Aquilo que focamos. Quer mudar, mude o foco. Tony Robbins, o mais famoso guru de autoajuda e desenvolvimento humano, costuma dizer: the energy flows where our focus flow; em uma tradução livre, poderíamos dizer que “a energia vai para onde nós colocamos o nosso foco”. Logo, veja para onde você está colocando a sua energia.

Menos é Melhor

Olá, estamos na quarta parte da série Foco. Na primeira parte, falei sobre a perda de foco, desvios do caminho por causa das “oportunidades” que, muitas vezes, servem apenas para desviar o caminho do que é realmente importante. Na segunda parte, falei das “borboletas”, as distrações que nos fazem perder o foco no dia a dia. Na terceira parte, abordamos o tema: “preste atenção no que você presta atenção”. Hoje vamos falar sobre “MENOS”. Menos? Isso mesmo: menos. Menos é melhor.

Há alguns meses, encontrei uma ex-aluna em um evento (vou chamá-la aqui de Rosa). Rosa começou a contar sobre sua trajetória profissional; disso que já havia saído do último emprego e que estava querendo mudar de área e se reposicionar no mercado. Comentei que muita gente está fazendo isso e que, no momento, eu estava ajudando, como coach, três profissionais nesta mesma situação. Ela começou a listar tudo que estava fazendo: curso de inglês, curso avançado de Excel, MBA em finanças, curso na área de gestão, outro curso no Sebrae, alguma coisa na área de logística e outras que minha memória temporária resolveu não passar para permanente. No final da sua (longa) lista, ela perguntou o que eu recomendava que ela pudesse fazer mais. Eu parei, respirei, apliquei a técnica do STOP (que aprendi com o meu mentor Tim Gallwey) olhei para ela e disse: MENOS! Os olhos dela cresceram, uma grande interrogação parecia se desenhar na testa dela. Em seguida, perguntou: como assim?

A história de Rosa é muito comum. As pessoas têm a ideia equivocada de que é necessário acrescentar compromissos o tempo todo nas suas vidas. Nada contra aprender coisas novas, faço isso o tempo todo. Além de nos atualizar, isso mantém nosso cérebro em forma. A questão toda é a quantidade de assuntos que temos que prestar atenção ao mesmo tempo.

Dizer menos significa acabar com a impressão de que mais é melhor. Muitas vezes, mais é um problema; torna a nossa vida complicada; rouba a nossa energia, atenção, o nosso foco.

Imagine tantos cursos ao mesmo tempo, além de ficar procurando outro emprego na área. O que Rosa estava fazendo não é culpa dela. É um pensamento instalado na sociedade de que MAIS é sempre bom. Buscar por mais compromissos, mais bens, mais coisas para fazer é o primeiro sinal de uma falta de foco.

Os profissionais de sucesso que conheço estão focados em poucas atividades. Pode parecer que têm muitos compromissos, mas quando olhamos com uma lupa, vemos que eles estão fazendo tudo direcionado a um único ponto.

Ao contrário do que dizem, o nosso cérebro é limitado. Ele tem um limite do que pode ser feito por vez. Um limite de dados que pode absorver de forma consciente. Por isso, focar em poucas coisas é importante, gera mais resultado que assumir muitos compromissos, cada um levando para uma direção diferente.

Menos é melhor quando se quer obter um resultado rápido, quando se que avançar em determinada área da vida. Menos é melhor para se fazer as coisas de forma mais consciente, para tomar melhores decisões, para aproveitar o melhor do dia a dia.

Fazer menos significa focar no que é essencial, no que é importante, no que é realmente significativo para nossas vidas.

Foque nos pontos fortes

 

Olá, chegamos à última parte dessa série. Por que tanto foco no foco? Porque a falta de foco é um problema que vem afetando boa parte das pessoas, impedindo que tenham o desempenho de que são capazes. Impede as pessoas de aproveitarem melhor o tempo. A falta de foco provoca perda de energia, perda do que é importante na sua carreira, na sua vida e, finalmente, a falta de foco faz perder muito dinheiro.

Uma grande amiga minha (que vou chamar aqui de Mary) me procurou há algumas semanas. Mary queria que eu fizesse um trabalho com ela. O objetivo era superar suas “lacunas” profissionais e pessoais.

Perguntei: Mary o que você está chamando de lacunas?.Ela começou a listar questões profissionais e pessoais que ela gostaria de melhorar, pois ela achava que eram seus pontos fracos que a impediam de crescer. Depois de escutar aquilo que achava que necessitava melhorar, fiz outra pergunta: Agora me diga em quais pontos você acha que é “poderosa”, que você tem domínio. Ela parou por um tempo (um longo tempo), e demorou para dizer algo. Disse duas ou três coisas, demonstrando certo desconforto. Depois de um tempo, com minha ajuda e observações, conseguimos chegar a quase dez itens.
Mary disse: Aníbal, nunca tinha pensado dessa maneira. Nunca listei os meus pontos fortes.

A história de Mary é mais comum do que você pode imaginar. As pessoas tendem a prestar 10 vezes mais atenção nos seus pontos fracos que nos pontos fortes. Ainda não é o momento para explicar as causas disso, mas posso dizer que há uma forte influência da nossa educação e do nosso medo de errar ou parecer inferior aos outros.

A minha dica de hoje é para você prestar atenção nos seus pontos fortes. Listar os pontos fortes antes de pensar nos pontos fracos. O grande guru da gestão, Peter Drucker, dizia que nós devemos focar nos pontos fortes para tornar os pontos fracos irrelevantes.

Logo, preste atenção no você já sabe, no que você é bom, no que seu desempenho seja o melhor. Foque naquilo que diferencia você dos outros, de tal forma que os pontos fracos se tornem realmente irrelevantes.

Um grande abraço

 

ANÍBALVIEGAS

Professor convidado da Fundação Dom Cabral. Mestre em Criatividade Aplicada pela Universidade de Santiago de Compostela (Espanha), Especialista em Gestão de Negócios pela FGV São Paulo. Graduação em Matemática pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL/BA). Certificado em Facilitação do Processo Criativo pela Creative Education Fundation (EUA), em Investigação Apreciativa pela Case Western Reserve University (EUA), em Coach ISOR® e em Lego® Serious Play™ (EUA/Canada/Panamá). Capacitação em Arte-Terapia e em Valores Humanos. Participação há mais de 10 anos do curso Todo Mundo Faz Teatro.

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